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A Tradição Musical … (7) – extraída de “Adágio”, nº16 – Janeiro de 1983

A tradição musical do nosso bairro tem as suas raizes numa forte componente familiar, que imprime à nossa sociedade uma dinâmica muito própria e é o segredo da sua vitalidade.

Familias inteiras dividem os seus membros pela banda, grupo coral e tarefas administrativas, o que contribui para uma extraordinária coesão entre os diversos sectores da nossa sociedade.

Numa modesta casa da Rua Alves Gouveia – um dos caracteristicos bairros operários do inicio do século – vive uma simpática octogenária, D.Palmira das Neves Baptista da Silva, em cuja salinha tem lugar de destaque um velho trombone de pistões, quase religiosamente, exposto num estojo de paredes de vidro. Esse velho trombone pertenceu a seu pai, João Maria da Silva, um dos fundadores da S.F.U.C.O. e elemento da banda onde, durante muitos anos, teve por companheiros também os seus dois filhos – João Silva e Joaquim Maria da Silva, o Joaquim Gato, que o Vice-Presidente da Mesa da Assembleia-Geral, Sr. Arnaldo Alcobia, evocou no número 14 do Adágio.

Não tardou, porém, que viesse juntar-se-lhes um novo elemento, António Baptista, marido de D.Palmira, que, embora natural de Arrentela, veio muito jovem para os Olivais e depressa se integrou no ambiente local.

Anos mais tarde,também o neto de João Maria, filho de António Baptista e de D.Palmira – João Baptista da Silva – se integrou na banda, onde se juntaram, assim, três gerações da mesma familia.

João Baptista entrou para a banda como caixa; mais tarde, tocou também timbalão; em 1969, passou para o bombo e hoje é dos músicos mais antigos da nossa banda, com 54 anos de actividade.

Dir-se-ia que a tradição musical desta familia teria terminado aqui, porque os dois filhos de João Baptista – Joaquim e Gumerzindo Baptista da Silva – nunca tocaram na banda. Porém, a S.F.U.C.O. tem contado com a valiosa colaboração de ambos na Direcção, onde, na altura em que escrevemos, desempenham, respectivamente,os cargos de 1º secretário e vice-presidente.

Também um neto de Joaquim Gato, o Carlos Rodrigues, tem vindo a ocupar o cargo de tesoureiro em sucessivas direcções.

Esta tradição promete projectar-se no futuro, porque os dois filhos do Joaquim – o Luis e a Catarina – e o Hugo, filho de seu irmão já frequentam a nossa Escola de Música.

Helder Rodrigues