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A Tradição Musical … (3) – extraída de “Adágio”, nº11/12 – Agosto/Setembro de 1982

Catorze anos após a fundação da S.F.U.C.O., a actividade cultural dos Olivais foi enriquecida com a formação de uma nova colectividade, o Grupo Musical “O Pobrezinho”, fundado em 22/7/1900 e que ainda hoje tem a sua sede, reconstruida há poucos anos na actual Rua de Chibuto, junto do campo desportivo do Sport Lisboa e Olivais.

Esta, não surgiu como uma colectividade concorrente provocada por qualquer dissidência, mas sim como uma iniciativa independente e espontânea que vinha alargar a actividade musical a outro campo. Em vez de uma banda formada por instrumentos de sopro e de percussão, a nova colectividade criou uma tuna, um grupo musical composto fundamentalmente por instrumentos de cordas, alguns instrumentos de sopro, principalmente de madeira: bandolins, violas, violinos, flautas e clarinetes.

Desde o primeiro momento, estabeleceram-se as melhores relações e um acentuado espirito de colaboração entre as duas colectividades. Muitos sócios da S.F.U.C.O. passaram a ser também sócios do novo grupo musical. João Pedro Vieira foi igualmente o primeiro mestre da tuna e alguns músicos da banda passaram a tocar também na tuna como, anos mais tarde, Luis António da Silva que, em 1920, era primeiro clarinete e subchefe da banda. Na definição do Sr. Alves, Luis António da Silva “tinha um certo mérito como executante, era uma pessoa muito inteligente, embora sem uma cultura por aí além era um músico amador que tinha valor”.

A convite deste, o nosso saudoso amigo Sr. Joaquim Cardoso Alves passou a fazer também parte da tuna, onde tocava cornetim e chegou a receber lições de instrumento do Mestre Vieira. José Gato, outro músico da banda, tocava lá baritono e baixo.

A tuna tinha menos elementos do que a banda, talvez uns vinte e cinco segundo informação do Sr. Alves, mas desempenhou um papel muito importante na actividade musical deste velho bairro.

Infelizmente, não resistiu à evolução dos tempos e às dificuldades…

Hoje, dela permanece apenas a recordação do nome perpetuado na simpática colectividade com a qual continuamos a manter as mais cordiais relações.

Helder Rodrigues