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A Tradição Musical … (1) – extraída de “Adágio”, nº8 – Maio de 1982

Estas breves notas, que hoje inciamos, pretendem ser apenas uma achega para uma investigacão mais profunda do que tem sido a tradição musical nos Olivais. Estes apontamentos baseiam-se nos “arquivos sonoros” da S.F.U.C.O. – uma série de entrevistas gravadas que estão a ser meticulosamente realizadas pelos nossos companheiros Jaime de Carvalho e Abilio Barata Neves.

Com este trabalho desejamos também prestar a nossa sentida homenagem ao saudoso amigo, Sr. Joaquim Cardoso Alves que foi 1º trompete da nossa Banda durante 48 anos e com quem se iniciou a série de entrevistas que compõem hoje aquele nosso “arquivo”.

Naquela altura (Março de 1980), o Sr. Alves encontrava-se já muito doente, mas conservava uma mente lúcida, uma memória invejável e um raro sentido de humor.

“Muito antes da S.F.U.C.O. – contou-nos ele – houve uma banda lá em baixo na fábrica de papelão, na Rua Nova (hoje, Rua Conselheiro Ferreira do Amaral). Meu avô, Joaquim dos Reis Cardoso, tocou nessa banda. Nasceu em 1851 e quando lá começou a tocar devia ter menos de 20 anos.”

Da existência dessa banda nada mais conseguimos apurar, mas deve ter sido o seu desaparecimento e o gosto pela Música que ela despertou na população dos Olivais, que levaram 21 cidadãos a reunirem-se, em 1 de Junho de 1886 […] para formarem a Sociedade Filarmónica União e Capricho 0livalense “Tão útil para o recreio e instrução dos sócios”, com uma banda que dependesse da “união e capricho” dos habitantes dos Olivals e não do capricho ou das possibilidades financeiras de qualquer mecenas local.

Joaquim dos Reis Cardoso passou então a tocar na banda da S.F.U.C.O. que, na altura, Já estava sediada no Rio de Nossa Senhora – hoje totalmente desaparecido e que se situava a Sul da Av. de Berlim, quase em frente da actual “Urbanização do Castelo dos Olivais”.

A certa altura – continuou o Sr. Alves – meu avô teve por lá uns desentendimentos e saiu. Foi então que resolveu fundar uma banda sua na sua fábrica, a “Fábrica de Loiça dos Olivais”, vulgarmente conhecida por “fábrica dos tachos” e que ele fundara em 1876, aqui na Travessa dos Buracos, junto da sua residência. Essa banda era composta por ele e pelos operários da fábrica”.

Helder Rodrigues